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terça-feira, maio 30, 2006

SP - Sangue Paulista, Sentido!?

O tempo... ah o tempo!
O tempo parecia já não fazer sentido.
Um ano transformado em século,
um dia camuflado de mês.
Mas isso era apenas mais do mesmo,
sentido!? O tempo nunca fez.

Sentia-se girar ao olhar a estátua,
para ele, o mundo estava parado.
Um mundo pouco belo,
muito bélico.
Sangue, trincheiras, arame farpado.
sentido!?

Perdera a posição do portal
que separava o imaginário do real.
Não conseguia distinguir se sonhava
ou se, infelizmente, estava acordado,
ou ainda,
se sequer estava respirando.

O relógio... desgraçado relógio!
Esse já não marcava horas,
minutos,
ou segundos.
Marcava vidas,
tiros,
balas, nada perdidas.

Em certo instante pensou:
“Quando voltarei pra casa?”
O “quando” parecia esfarelar-lhe a mente
sentia-se burro pois não conseguia medir... o tempo!
O “voltarei” matava a lógica do seu raciocínio,
pois já estava em “casa”,
ao menos geograficamente.
E mais uma vez o verbo “matar”
tornara sua esperança ainda mais diminuta.

Declarada,
civil,
armada,
“pela paz”.
Todas se repetiam em seus pensamentos,
se interrogava: “Por que tantas?”
Só queria ir na esquina comprar leite,
se interrogava: “Que horas são?”
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Foto: Geyson Magno

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Cada vez que leio um poema seu percebo seu crecimento com ser humano,continue sendo esta pessoa maravilhosa .

9:31 PM  
Anonymous Anônimo said...

Esse poema usa como exemplo São Paulo para retratar como vivemos, ou sobrevivemos, afinal "Quem é Sobre? O que é viver?" nas cidades grandes aqui no Brasil atualmente. As pessoas nem sabem se voltam pra casa após um dia de serviço, aliás nem sabem sequer se já estão em "casa", será que uma casa é apenas um espaço geográfico? ou será que uma casa deve também ser um lugar para a tranquilidade de uma família reinar, das pessoas poderem dormir sossegadas, saírem e entrarem quando quiserem... ("Só queria ir na esquina comprar leite,") Porque hoje um pai de família não pode nem sair no meio da noite pra comprar um leite na esquina pro seu filho tranquilamente...

"Um mundo pouco belo,
muito bélico.
Sangue, trincheiras, arame farpado.
sentido!?"


... pois a guerra tomou conta das pessoas principamente nas grandes cidades... "Sentido!?!" temos apenas que obedecer... como nos quartéis militares por exemplo... será que faz "sentido" viver assim??? Isso me fez lembrar do trecho de uma música dos Engenheiros do Hawaii:

" ...
suave é a cidade
pra quem gosta da cidade
pra quem tem necessidade de se esconder

nossa cidade é tão pequena
e tão ingênua
estamos longe demais
das capitais
... "


Longe demais das capitais
(Humberto Gessinger)

... talvez uma solução seja morar "longe demais das capitais", quem sabe outra cidade seja "tão pequena e tão ingênua" que possamos "viver", e não apenas "sobreviver"!!!

Bom, acho que esse texto faz pensarmos e nos preocuparmos mais com essas questões... será que faz "sentido" vivermos escutando "Sentido!" ?????

Thiago

Obs.: Não sei se esse comentário fez sentido, mas... "Um dia tudo isso irá fazer sentido!!!"

11:42 PM  

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